quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Saudade

Que saudade daqueles olhos!
De como me faziam calar,
quando se podia falar.
De como me faziam sussurrar,
quando se podia gritar.
De como me faziam ter forças,
quando meus joelhos já não mais
suportavam o mundo.

Que saudade daqueles olhos!
De como me faziam sorrir,
quando se devia prantear.
De como me faziam inerte a dor,
quando se devia agonizar.
De como me faziam voar,
quando se devia enterrar
os meus sonhos na areia.

Mas eles se foram.
Partiram para onde não posso ir.
Para onde não sou bem-vindo.
Para onde desconheço a multidão.

E agora tento calar,
tento sussurrar,
tento gritar,
tento suportar.

Tento sorrir,
tento ser inerte,
tento voar,
tento me equilibrar.

E vozes, gritos,
prantos, agonias,
enterros e solidão
reinam sobre a paz de outrora.

2 comentários:

Luciana Silva disse...

Lindo.

Luciana Silva disse...

Quanta paz no seu coração!
Ou será um vulcão?
=)

Postar um comentário